sexta-feira, 29 de julho de 2011

Clichês

 
Gente, eu fico pensando: Que merda eu fiz em algum momento desta vida ou de outra para pessoas que não me conhecem, que nunca me olharam no olho, nem sequer uma foto se acham no direito de falar que minha forma de amar é errada?
Se mesmo minha família, tradicional como é, tem carinho por mim me apoia nas minhas conquistas, e depois que me “re-conheceram”, percebem que não sou ninguém mais ninguém menos que o mesmo de antes. Talvez mais livre, mais carinhoso, mais próximo de todos, olhando os outros e tentando não ter preconceitos, pois vivi o meu contra mim mesmo e sei como dói.
Se eu, crítico como sou, se minha família como é, conseguimos superar este preconceito, por que tenho que escutar gracinhas nas ruas? Ver pessoas sendo proibidas de se manifestarem carinhosa, politica e respeitosamente. Ou vai me dizer que um aperto de mão ou um abraço é um desrespeito? Um beijo de carinho é desrespeito? É errado?
Não somos só homossexuais; somos homoafetivos, homodependentes, homoamantes. Queremos ser homo (iguais) a vocês.
Mesmo depois de anos convivendo com pessoas como eu, percebendo que esta cidade, mesmo mais aberta para a diversidade que a qual nasci de 14 mil habitantes, ainda faz com que a gente viva em guetos, escondidos em bares pra podermos ter o que é de mais essencial na vida do ser humano: Amor! E não há outra forma de mostra-lo, senão com carinho. Não posso dar um beijo no meu namorado, ou tocá-lo em um banana shopping pois, é declaradamente com placas por todos os lados considerado “ato obsceno”.
Na boa: bater em mulher, caçar briga em boteco, matar por causa de torcida organizada, causar um acidente por conta de briga de trânsito, utilizar do poder para roubar o povo não é mais obsceno não???
Estou falando de Goiânia: onde os gays se encontram em bosques, saunas e casas para terem um sexo que se tornou promiscuidade, talvez sinônimo de doenças, que é isso que todo mundo prefere ver. Isso na verdade é uma parte mínima da sociedade, como as mulheres e homens e principalmente o universo trans que se prostituem por falta de oportunidade, de apoio, de símbolo familiar, não digo Pai, Mãe que expulsam de casa por não seguirem o padrão familiar, mas sim de ter pessoas que apoiam. Alguém que dê carinho, conselho, sabe dizer não, sim, sabe escutar e amar, sendo pai, mãe, avô, tio, professor, amigo, filho... Isso sim é família para mim.
Mas também falo de Goiânia: com bares, boates, clubes, pubs incríveis que celebram a diversidade, como: Athena, Metrópoles, The Pub, El Club, Bar da Help, Relíquia, D!sel Louge, Total Flex, Domingueira (entre outros) e ainda ouso: Bar da três, Chorinho, Cine Ouro, DCE da Católica, Filhas da Mãe, Alcohol, onde sei que posso dar um beijo ser receber um chute.
agora vai ficar de mão dada em um destes bares do Parque Vaca Brava, ou estes outros do gênero pra ver se você não sai de lá expulso. Vai sentar junto e passar os braços no ombro do companheiro em um ônibus em dias frios. Aliás, o problema principal ai é sentar né?! Mas não vem ao caso. O lugar mais dito hetero que temos liberdade, e olhe lá, pra ter carinho é no cinema onde é tudo escuro.
E qual o problema que todos veem nisso? Ser feliz? Amar e ser amado? Ter um relacionamento de verdade? É bíblico? Que Deus é esse que me fez assim então? Você não fala que “não devemos julgar a obra d’Ele”? Então me julgar não é fazer exatamente isso? Aliás, não é só Ele que pode julgar e você simplesmente amar o que ele criou? Pois então, não lembro o dia que “decidi”, nem do dia que senti ser gay. Você lembra quando resolveu ser hétero? Então me ame se é tão religioso assim.
Peço muito aos governantes que criem as leis que me resguardem o direito de procurar minha felicidade sem ser agredido físico, verbal, psico, moral ou preconceituosamente.
Desculpem os clichês, mas até quando vamos fala-los dessa sociedade hipócrita que ainda vai continuar abrindo os olhos só pro que há de ruim nos outros? segregarem o que não for aceitável aos olhos do “normal” e estereotipar tudo? Fechar os olhos pro que todos têm de melhor? Varrer a sujeira de casa pra baixo dos panos e pensar que drogados, DST’s, ladrões, pedófilos, estupradores, agressores, promíscuos, mentirosos só existem da porta pra fora??? Seu filho pode ser gay, hetero, bi, trans, negro, branco, amarelo, índio, emo, católico, protestante, evangélico, indu, budista, agnóstico, Happy rock, hard rock, dark, punk, homem, mulher, alto, baixo, bonito ou feio vilanovense ou esmeraldino e não ter nenhum, algum ou todos estes adjetivos.
Já que você gosta tanto de rotular, em qual gueto você se encaixa?
Neuber dCastro.
29/jun/2011.

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